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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Sônia Braga é confirmada no elenco de "Aquarius"


Gravações da produção brasileira serão iniciadas no próximo dia 4 de agosto, em Recife



Filmagens terão duração de sete semanas na capital pernambucana
Foto: Divulgação

SÃO PAULO - Em fase de pré-produção, "Aquarius", o segundo longa-metragem de ficção de Kleber Mendonça Filho, começará a ser filmado na cidade de Recife, no próximo dia 4 de agosto. O filme do roteirista e diretor de "O Som ao Redor" (2012) terá como protagonista a atriz Sônia Braga, no papel de Clara, uma escritora e crítica de música aposentada, viúva, mãe de três filhos adultos, e moradora do bairro de Boa Viagem. Clara tem também o dom de viajar no tempo.

"Estou muito feliz de poder trabalhar com Sônia Braga em Aquarius. Sônia é não apenas uma grande atriz, mas um ícone da cultura brasileira através do teatro, da TV e do cinema, seu carisma é também reconhecido internacionalmente. Poder tê-la interpretando Clara, mulher rochedo que está em praticamente todas as cenas, é uma honra, pura e simplesmente, e a sintonia de Sônia com Clara é linda. Sonia é uma estrela, no sentido clássico da imagem de cinema", diz Kleber Mendonça Filho.

O roteiro de 123 páginas foi escrito por Kleber Mendonça Filho ao longo do último ano, após o longo processo de lançamento de "O Som ao Redor" em festivais de cinema, e nas salas do Brasil e do exterior. O realizador acredita que muitos dos temas que lhe são caros voltam nesse filme, mas de uma maneira totalmente diferente. "Clara é uma viajante no tempo, um super poder que poucas pessoas são capazes de desenvolver".

"Quando li Aquarius, tive que parar para respirar. Sim, respirar e entender que era real. Que era um roteiro do Kleber Mendonça e que ele estava me oferecendo para participar. Pareceu de cara um sonho: uma personagem íntegra, da minha idade, com meus sonhos, com os meus sonhados filhos e família. Quis logo viver esta mulher. As palavras do roteiro pareciam que já tinham andado na minha boca. Quando assisti a O Som ao Redor, entendi logo que tinha que parar, respirar, voar, para entrar no universo incrível e magnificamente estranho do Kleber. Me vi, me senti nele. Sei que a viagem em Aquarius será um mergulho num profundo mar azul, infinito e misterioso, mas simples. Um mergulho nos meus mais profundos sonhos e desejos. Mas, principal e finalmente, a volta e um mergulho na minha língua mãe, que me acolheu sempre tão carinhosamente. Kleber me escolheu e eu fico muito agradecida que um grande cineasta como ele me veja assim, dentro deste universo estranhamente desnivelado , mas com linhas paralelas, que só os artistas colocam no infinito", afirma Sônia Braga.

As filmagens de Aquarius terão duração de sete semanas, com locações em bairros diferentes do Recife. A produtora Emilie Lesclaux reuniu boa parte da equipe técnica e de produção que foi tão importante em O Som ao Redor, como os fotógrafos Pedro Sotero e Fabrício Tadeu, os diretores de arte Juliano Dornelles e Thales Junqueira, Daniel Bandeira como consultor artístico, Nicolas Hallet na gravação de som, Amanda Gabriel e Leonardo Lacca como preparadores de um elenco de mais de 50 atores.

O filme é produzido por Emilie Lesclaux, através da CinemaScópio Produções, com patrocínio do BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento e Funcultura / Fundarpe - Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco.

http://consultoriaculturalonline.blogspot.com.br/





quarta-feira, 27 de maio de 2015

Crise vai dificultar acesso a patrocínio cultural, diz diretor do Cine Fest PE



As dificuldades para conseguir patrocínio na área cultural no Brasil tendem a se agravar em um ano de crise econômica, avaliou hoje (4) o diretor do Cine Fest PE, Alfredo Bertini, em entrevista à Agência Brasil. “A gente está passando por um momento difícil, em função dessa crise econômica, que não se sabe o prazo de validade dela, mas no geral é muito difícil, ainda mais quando a gente não está nas áreas mais beneficiadas pelos patrocínios”, disse Bertini.

A 19ª edição do Cine Fest PE foi aberta no sábado (2) e tem o patrocínio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura; do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); da Petrobras; do governo do estado de Pernambuco; da prefeitura do Recife; e da Ambev, além de instituições locais.

Bertini destacou a importância do Cine Fest PE para a capital e o estado de Pernambuco a realização. “Já são 19 anos. É uma história, uma trajetória a ser considerada”. Ele admitiu que, mesmo não sendo um protagonista do bom momento por que passa o setor audiovisual de Pernambuco, o festival é um fator indutor desse processo. "Nós ajudamos, contribuímos de alguma maneira”.

O diretor lembrou que, na época de criação do festival, não havia eventos dessa natureza no estado. Hoje, o Cine Fest PE é referência para o surgimento de importantes cineastas pernambucanos, alguns dos quais reconhecidos em premiações no Brasil e no exterior, como Cláudio Assis (A Febre do Rato e Baixio das Bestas), Kléber Mendonça Filho (O Som ao Redor) e Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus).

“Teve gente que passou por nossas oficinas e se transformou em diretor, teve gente que frequentou e se tornou diretor, teve gente que foi influenciado de alguma maneira. Mas não somos protagonistas. Somos um fator catalisador a mais”. Segundo Bertini, o mais importante nesse processo de formação de novos cineastas é a força da política pública. “No estado de Pernambuco, o governo foi sempre muito presente nessa política a favor do audiovisual.”

A 19ª edição do Cine Fest PE homenageia a atriz de cinema e teatro Helena Ignez, a obra do escritor Ariano Suassuna e o ex-governador Eduardo Campos, que morreu em um acidente de helicóptero em agosto do ano passado. Também será homenageado o músico Alceu Valença, diretor do longa-metragem A Luneta do Tempo (2014), que será exibido pela primeira vez no estado.

O festival se estenderá até o dia 8. Ele engloba quatro mostras: Curtas Pernambucanos, Curtas Nacionais, Longas Documentários e Longas de Ficção. No evento, estão exibidos filmes inéditos, tanto de cineastas brasileiros quanto internacionais. O festival recebeu 720 inscrições e resultou na seleção de 27 filmes, sendo 12 de cineastas pernambucanos. Nesta edição, o evento retornou ao local de sua estreia, o Cinema São Luiz em Recife. Os vencedores das quatro categorias receberão o Troféu Calunga, em solenidade marcada para a próxima sexta-feira (8).

O festival envolve ainda oficinas e mostras itinerantes. O primeiro pacote de oficinas prevê trabalhar técnicas de animação com alunos da rede pública de ensino durante quatro meses, com o objetivo de fazer um curta-metragem, cuja exibição está garantida na programação da edição de 2016 do festival. Já as mostras itinerantes se estenderão até dezembro deste ano. “São contrapartidas sociais do projeto”. Ainda serão definidas as datas e os locais de exibição dos filmes.